Juros nos EUA fortalecem emergentes e levam Bolsa a recorde
O real encerrou a semana em alta, cotado a R$ 5,35 por dólar, após chegar a R$ 5,44 na terça-feira. O movimento acompanhou o fortalecimento das apostas de que o Federal Reserve cortará os juros básicos nas três reuniões restantes de 2025. A perspectiva de maior diferencial de juros favorece moedas emergentes como o real e estimula entrada de capital. O Ibovespa surfou esse ambiente e fechou acima de 143 mil pontos pela primeira vez na história.
STF condena Bolsonaro e reação internacional causa atrito
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados por crimes como tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O placar foi de 3 a 1, restando apenas o voto do ministro Cristiano Zanin.
A decisão repercutiu no exterior. A Casa Branca afirmou que o presidente Donald Trump “não tem medo de usar o poderio econômico e militar para proteger a liberdade de expressão em qualquer lugar do mundo”, em fala interpretada como recado direto ao Brasil. O Itamaraty reagiu com nota dura, repudiando qualquer ameaça à soberania nacional.
Inflação mostra alívio em bens, mas serviços seguem pressionando
O IPCA registrou deflação de -0,11% em agosto, levando a taxa acumulada em 12 meses de 5,23% para 5,13%. O resultado foi puxado pela queda na tarifa de energia elétrica, influenciada pelo bônus de Itaipu, e pela redução nos preços de alimentos e bens industrializados. Apesar disso, a inflação de serviços acelerou 0,55% no mês, refletindo a força do mercado de trabalho e salários mais altos. A projeção segue em 4,8% para 2025.
Atividade econômica perde ritmo
As vendas no varejo ampliado caíram 2,5% em julho frente ao mesmo mês de 2024, em linha com o peso dos juros elevados e do endividamento das famílias. Já o setor de serviços avançou 0,3% em julho ante junho, mantendo crescimento, ainda que mais moderado. A XP projeta alta de 2,2% no PIB de 2025.
EUA aliviam tarifas sobre produtos brasileiros
O governo americano anunciou a suspensão da tarifa de 10% sobre celulose e ferro-níquel, produtos que já estavam livres da alíquota de 40% e, agora, não enfrentam taxação extra. Em 2024, o Brasil exportou US$ 1,84 bilhão desses itens, sendo 4,6% destinados aos EUA. O impacto líquido das tarifas de Donald Trump sobre a balança comercial brasileira deve ser limitado, com efeito negativo estimado em até US$ 2 bilhões neste ano.
Cenário internacional
EUA: a inflação ao consumidor avançou 0,3% em agosto e acumula 2,9% em 12 meses. Já o índice de preços ao produtor recuou 0,1% no mês. O mercado de trabalho, por sua vez, segue enfraquecendo: revisão de dados mostrou que o país criou 911 mil vagas a menos do que o estimado em 12 meses até março, enquanto os pedidos semanais de seguro-desemprego somaram 263 mil, o maior nível em quatro anos. Esses dados reforçaram a expectativa de cortes de juros pelo Fed ainda este ano.
Europa: o Banco Central Europeu manteve a taxa de depósito em 2% e adotou discurso firme, descartando cortes adiante. Christine Lagarde alertou para riscos vindos dos EUA, das incertezas fiscais na França e do aumento de gastos na Alemanha. Paralelamente, a União Europeia voltou a defender o acordo comercial com o Mercosul como estratégico, apesar da resistência da França.
China: a inflação ao consumidor caiu 0,4% em agosto, enquanto o índice de preços ao produtor recuou 2,9%, em trajetória deflacionária pelo terceiro ano seguido. Exportações cresceram 4,4%, o menor avanço em seis meses, e importações subiram apenas 1,3%. As vendas para os EUA caíram 33,1%. O cenário reforça a dificuldade da China em alcançar a meta de 5% de crescimento em 2025.
Crises políticas: na França, François Bayrou renunciou ao cargo de primeiro-ministro após perder voto de confiança em meio ao plano de cortes de €44 bilhões. O presidente Emmanuel Macron nomeou Sébastien Lecornu para o posto. No Japão, Shigeru Ishiba deixou o comando do governo após derrota no Senado e perda de apoio parlamentar.
Argentina: o peronismo venceu Milei em Buenos Aires por 47,2% a 33,8%. O resultado, somado a denúncias de corrupção e à estagnação econômica, provocou forte reação nos mercados: o peso caiu 5% e o índice Merval chegou a recuar 13% na semana.
Ações
O Ibovespa fechou a semana em queda de 0,3% em reais, mas alta de 0,6% em dólares, aos 142.272 pontos. A performance tímida contrastou com o otimismo global diante da expectativa de cortes de juros pelo Fed e do avanço do setor de inteligência artificial, com destaque para a Oracle, que saltou 25% após divulgar crescimento de 1.529% na receita de banco de dados multicloud.
Entre as ações brasileiras, Cyrela (CYRE3) subiu 5,2% após revisão de preço-alvo por um banco de investimentos. Já CVC (CVCB3) caiu 9,5% em movimento técnico.
Fonte: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-juros-menores-nos-eua-impulsionam-mercados/ https://conteudos.xpi.com.br/acoes/relatorios/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-cai-com-dados-economicos-relevantes-no-radar-dos-investidores/


