Como incentivar nossos filhos a competirem buscando a vitória, mas entendendo que a derrota também faz parte do caminho?
Esse foi o dilema que me acompanhou no último fim de semana, diante da participação da minha filha, de apenas 9 anos, em uma competição de beleza e simpatia.
Embora ela já tivesse vivido outras experiências semelhantes, dessa vez o cenário era diferente: público, torcida, expectativa e uma mesa avaliadora.
Tudo maior.
Inclusive os sentimentos.
É natural que a gente queira ver nossos filhos ganhando sempre. Aplaudidos, reconhecidos, felizes. Mas e quando o resultado não vem? Como consolar sem desmotivar? Como incentivar a tentar de novo sem criar a ilusão de que a vitória é garantida? Confesso que o coração de mãe fica dividido.
Antes da disputa, ensaiei o discurso — mais para mim do que para ela.
Se ganhasse, parabéns.
Mérito, alegria e humildade para reconhecer que outros também são dignos de respeito.
Se perdesse, a lição: a vida nem sempre sorri, e aprender a lidar com frustrações é parte essencial do crescimento.
Expliquei que apoio nunca vai faltar, que novas oportunidades sempre virão, mas que também é preciso reconhecer onde somos bons de verdade — e onde talvez não sejamos tanto assim. Isso não diminui ninguém; pelo contrário, ensina humildade, autoconhecimento e maturidade. Como mãe, dói ensinar lições tão grandes tão cedo. A gente queria proteger, poupar, adiar certas dores.
Mas a verdade é que é melhor aprender em casa do que com a vida. Em casa, a gente explica com jeitinho, acolhe, abraça e ensina.
A vida, essa nem sempre é gentil.

Até a próxima!
Léia Alberti



