PANORAMA DE MERCADO

10 de março de 2026
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Economia brasileira cresce 2,3% em 2025 e desaceleração marca o ciclo recente
A economia brasileira encerrou 2025 com crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), após avanço de 0,1% entre o terceiro e o quarto trimestre, resultado alinhado às expectativas do mercado. Apesar do desempenho positivo, trata-se do ritmo mais moderado de expansão observado nos últimos cinco anos.
A desaceleração refletiu principalmente os efeitos de uma política monetária restritiva ao longo do ano e a redução do impulso fiscal, especialmente durante o primeiro semestre. Ao retirar do cálculo o impacto da agropecuária e da indústria extrativa, o crescimento do PIB teria sido ainda mais modesto, alcançando 1,3%.
Para 2026, as perspectivas indicam recuperação gradual da atividade econômica. A renda real das famílias deve crescer cerca de 4,5%, impulsionada por um mercado de trabalho ainda aquecido, maior volume de transferências fiscais e pelos efeitos da reforma do Imposto de Renda da Pessoa Física. Medidas de estímulo ao crédito também devem sustentar o consumo no curto prazo. Nesse cenário, a projeção atual aponta para expansão de 2,0% do PIB em 2026.

Banco Central sinaliza manutenção do plano para os juros
Em meio às incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio, o Banco Central reiterou que não pretende alterar, por ora, o rumo da política monetária. Em pronunciamento recente, o diretor de política monetária da instituição, Nilton David, afirmou que o novo cenário geopolítico é relevante, mas não muda o plano inicial previsto para a próxima reunião do Copom.
Segundo ele, o Banco Central evita reagir a movimentos de curto prazo e continuará avaliando o quadro econômico com cautela. A sinalização de início do ciclo de redução da taxa Selic permanece válida, ainda que o ambiente internacional mais volátil aumente o grau de incerteza para o horizonte de médio prazo.
A expectativa predominante no mercado segue sendo a realização de cinco cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual, a partir deste mês, o que levaria a taxa básica de juros para 12,50% ao ano até setembro.

Conflito no Oriente Médio eleva petróleo e amplia tensões globais
No cenário internacional, os mercados acompanham com atenção a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Os ataques militares contra instalações estratégicas iranianas culminaram na morte do líder supremo Ali Khamenei, desencadeando uma reação imediata de Teerã.
Entre as medidas adotadas pelo Irã está o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula aproximadamente 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. A resposta do governo americano foi firme. O presidente Donald Trump afirmou que as operações militares podem durar quatro a cinco semanas, descartando negociações que não envolvam rendição total do regime iraniano.
O impacto mais imediato foi observado no mercado de energia. O petróleo Brent subiu quase 20% na semana, sendo negociado próximo de US$ 90 por barril, o maior patamar em cerca de dois anos.
Caso o choque no preço do petróleo se prolongue, os efeitos podem se espalhar pela economia global, pressionando a inflação e dificultando o trabalho dos bancos centrais. Para o Brasil, no entanto, o impacto tem duas faces. Como o petróleo representa cerca de 13% das exportações brasileiras, a valorização da commodity pode reforçar o saldo comercial. Estimativas indicam que uma alta de US$ 10 no barril pode ampliar o superávit externo em aproximadamente US$ 8,5 bilhões, reduzir o déficit primário em US$ 10,7 bilhões e adicionar cerca de 0,40 ponto percentual à inflação.

Mercado de trabalho americano perde força
Nos Estados Unidos, os dados mais recentes indicam perda de dinamismo no mercado de trabalho. Em fevereiro, a economia registrou queda de 92 mil postos de trabalho, resultado significativamente pior do que a expectativa de criação de 55 mil vagas.
O relatório também trouxe revisões negativas para meses anteriores, com redução de 69 mil empregos somando dezembro e janeiro. Alguns setores importantes registraram retração, como saúde (-28 mil vagas), informação (-11 mil) e governo federal (-10 mil). A taxa de desemprego subiu para 4,4%, acima das projeções do mercado.
O quadro cria um dilema para o Federal Reserve. De um lado, a inflação permanece acima da meta de 2%. De outro, os sinais de enfraquecimento no mercado de trabalho aumentam o risco de desaceleração econômica. Diante desse cenário, as expectativas de corte de juros foram revisadas. O mercado agora projeta redução de 0,45 ponto percentual nas taxas ao longo do ano, abaixo dos 0,60 ponto percentual estimados anteriormente.

Justiça americana determina devolução de tarifas comerciais
Outro episódio relevante veio do campo jurídico. A Corte de Comércio Internacional dos Estados Unidos determinou que o governo devolva valores arrecadados com tarifas consideradas ilegais, impostas durante a gestão de Donald Trump sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional.
O juiz Richard Eaton afirmou que importadores têm direito ao reembolso integral, incluindo juros. O impacto fiscal pode ser expressivo: em 2025, o governo americano arrecadou mais de US$ 130 bilhões com essas tarifas, e o montante potencial de devolução pode chegar a US$ 175 bilhões, dependendo dos cálculos finais.

China revisa metas de crescimento para patamar mais baixo em três décadas
Na Ásia, a China também trouxe novidades relevantes. O primeiro-ministro Li Qiang apresentou a meta de crescimento do PIB para 2026 na faixa de 4,5% a 5,0%, o nível mais baixo desde 1991. A mudança sinaliza uma estratégia econômica mais cautelosa, combinando ajuste estrutural com disciplina fiscal.
Mesmo com a meta mais modesta, o governo chinês indicou que continuará buscando desempenho próximo ao limite superior da faixa estabelecida. Pequim tem priorizado estímulos direcionados a setores estratégicos, como tecnologia e infraestrutura, em vez de grandes pacotes de estímulo ao consumo.
A política reflete um ambiente econômico mais complexo, marcado por desafios no setor imobiliário, desaceleração da atividade e maior dependência do comércio global e do mercado de energia.

Ibovespa registra primeira queda semanal de 2026
Nos mercados financeiros, o Ibovespa encerrou a semana em queda de 0,9% em reais, embora tenha apresentado alta de 0,1% em dólares, fechando aos 188.787 pontos. Foi a primeira retração semanal do índice em 2026.
Mesmo com o recuo, o fluxo estrangeiro segue robusto. Investidores internacionais aportaram R$ 6 bilhões na semana, R$ 15,1 bilhões em fevereiro e R$ 41,6 bilhões no acumulado do ano.
A temporada de resultados corporativos também ganha ritmo. Entre 47 empresas analisadas, 38% superaram as estimativas de lucro, 32% vieram em linha e 30% ficaram abaixo das projeções. Os setores com maior número de surpresas positivas foram Papel e Celulose, Agronegócio e Tecnologia, Mídia e Telecomunicações (TMT).
Entre os destaques positivos da semana esteve a Vivo (VIVT3), com valorização de 6,3% após a divulgação dos resultados do quarto trimestre. Já entre as maiores quedas apareceu a Minerva (BEEF3), que recuou 9,2% após rebaixamento de recomendação por analistas e projeções mais fracas para seus resultados.
No exterior, as bolsas também operaram em leve queda. O S&P 500 recuou 0,4%, enquanto o Nasdaq caiu 0,2%, refletindo preocupações persistentes em torno do setor de tecnologia e do impacto econômico da inteligência artificial. Ainda assim, a temporada de resultados nos Estados Unidos segue sólida: 74% das 479 empresas do S&P 500 que já divulgaram seus balanços superaram as estimativas de lucro, com surpresa média positiva de 7,4%.
FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/estrategia-acoes/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-registra-sua-primeira-queda-semanal-de-2026/ https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-escalada-do-conflito-no-ira-leva-petroleo-a-90-dolares/

 

Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
4traderinvest.com.br
41 9 9890 9119

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