Reflexões na Coluna Primeiro Plano

Obsoleto ou não?


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Nestes últimos dias que antecederam esta data que deveria ser tão comemorada, dia 05 de agosto de 2017, o aniversário de 14 anos deste meu ‘filho’, o Jornal O Iguassú, comecei a sentir uma vontade de escrever.
Então ontem, parei e resolvi ir muito além de escrever uma coluna para tratar deste sentimento. Resolvi fazer a capa do jornal e durante este mês continuarei a trazer no conteúdo do jornal algumas considerações que acho válidas sobre o papel que desempenhamos e que ainda devemos desempenhar nos próximos anos.
Sim, porque o jornal que conhecemos, o impresso que você lê, realmente deverá ter ainda mais alguns anos de vida, não sei ao certo, um ano quem sabe, 10 anos ou mais, ninguém pode dizer, mas eu sei que tenho muito ainda para escrever aqui nestas linhas.
Então volto no tempo e me lembro dos idos de 1994, recém formado e procurando emprego. Consegui um emprego em uma agência que atendia diversos varejos em Curitiba e todos os dias tínhamos que criar tempo para cobrir os prazos para envio de materiais – em disquetes através de motoboys, para produzir um fotolito que então seria entregue na Gazeta do Povo para impressão.
Quem diria lá naquele tempo que um dia a Gazeta do Povo impressa não existiria mais.
E assim penso também no Jornal O Iguassú, o qual fundei em 2003 com meu irmão Roberto, e com a ajuda de alguns amigos e companheiros de profissão. Lucio Passos, Ussiel Dias, Marcelo Storck, Juliano Crespo, entre outros.
O tempo passou, crescemos, abrimos portas, viramos exemplos para outros jornais tradicionais das nossas cidades e assim percorremos este longo tempo. Porque 14 anos é muito tempo se pensarmos bem. Montamos uma gráfica e seguimos em frente.
Brigamos muito, discutimos muito, e bem silenciosa, uma coisa ia mudando na essência do que fazíamos. Em 25 de junho de 2005 o jornal O Iguassú já tinha um portal de internet dedicado a levar notícias através da ‘grande rede’, para todos os cantos do mundo. Não imaginávamos como a grande rede poderia se transformar também, na maior ameaça ao nosso futuro.
Sim, porque nos últimos cinco anos, o que a grande rede fez com os jornais impressos foi terrível – do nosso ponto de vista, é claro.
A publicação de atos oficiais migrou para a internet através de certificados digitais, cortando um bom fluxo de nossas receitas.
As notícias começaram a ser publicadas antes nos portais de internet, porque nossas edições impressas somente seriam impressas à noite e ainda teriam que ser distribuídas por um motoboy durante a madrugada, quando não tinham que viajar quilômetros de uma gráfica distante. Perdemos a exclusividade.
E daí descobrimos que a Internet não nos gera renda nenhuma, porque os leitores da internet não aceitam pagar pelo acesso, muito menos os anunciantes acreditam que os nossos portais tem capacidade de gerar resultados em anúncios para eles.
Enfim, apareceu o ‘Whatsapp’ e os SmartPhones dominaram todas as formas de comunicação existente. Pensamos, fim de carreira. Podemos baixar as portas do boteco.
E então eu me pergunto??? Será?
Parem aí, ainda vejo pessoas em botecos, cafés com o meu jornal na mão. Ainda consigo vender assinaturas, sim, isso é verdade, ainda existem pessoas que esperam o jornal em casa a cada manhã.
Ainda vendo jornais em bancas. Estamos nos reinventando cada dia, nos adaptando e assim será.
Se é difícil manter tudo isso funcionando, jornalistas, matérias, diagramação, pré impressão, impressão, intercalação, dobra, entrega… Sim é difícil e custa caro.
E o portal de notícias? Ah, este qualquer um monta. É barato, e é bom porque lá todo mundo é jornalista, todos tem um furo de reportagem, todos são colunistas, emitem suas opiniões, dizem o que querem, mentem, inventam, criam estórias, geram polêmicas e a credibilidade e o bom jornalismo não precisam existir.
Porque lá eu tenho que publicar antes, então não importa se o nome do bandido está errado, ou se a foto publicada não era a do bandido ou se não tinha direitos sobre ela, ou se a informação está errada, mesmo assim, ‘publique-se’, como falava o personagem da novela.
A internet não é o lugar de todos. É sim a terra de ninguém. Aonde o copiar e colar impera, aonde o minta e difame valem mais, aonde visualizações garantem o sucesso. Vocês sabiam que apenas 2,5% das visualizações são de pessoas que realmente leram aquele post. Os demais apenas passaram em um ‘scrolling’ infinito, dedinhos que correm a tela do celular. E daí, as 1000 visualizações viram 25 pessoas que gostam de ler textos curtos, ver fotinhos e vídeos engraçados.
Bom, quero dizer aqui, depois de escrever esta coluna, que estou feliz neste 14 anos, que O Iguassú está bem e que vamos em frente. Do nosso jeito. Quem sabe daqui a pouco o papel digital não nos colocará à frente de outras tecnologias, com muito mais espaço, muito mais qualidade do que uma telinha de 5 polegadas.
E voltando à chamada da capa, quero dizer aqui que o que mais me surpreende é a quantidade de pessoas que procuram o nosso jornal, apenas para comprar papel jornal velho para os cachorros fazerem xixi.
Não estou há 14 anos me dedicando a este meu filho para acabar assim. Então pessoal, quem quiser fazer uma assinatura do jornal O Iguassú, garanto que acaba sendo muito mais barato do que ficar pagando R$ 10 a R$ 20 reais o quilo de papel velho por aí.

 

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