Inflação surpreende para baixo, mas cenário permanece desafiador
O índice oficial de preços ao consumidor (IPCA) de janeiro apresentou variação de 0,16%, a menor alta para o mês desde a implantação do Plano Real. A redução temporária na conta de luz, favorecida por repasses vinculados à usina de Itaipu, contribuiu para o resultado. Ainda assim, o acumulado em 12 meses recuou de 4,83% para 4,56%, mantendo-se acima do limite de 4,5% estabelecido como teto. Especialistas apontam que o alívio tende a ser passageiro, já que a queda da tarifa elétrica deve ser revertida em fevereiro e persiste a pressão de alta, sobretudo nos segmentos de serviços e bens, em razão do dinamismo econômico e da desvalorização do real no final de 2024. A estimativa de inflação para 2025 permanece em 6,1%.
Indicadores econômicos reforçam ritmo mais brando
Sinais de esfriamento no consumo vieram do setor de serviços, que registrou queda de 0,5% entre novembro e dezembro, superando para baixo a previsão de expansão de 0,2%. Além disso, o dado de novembro sofreu revisão negativa, passando de -0,9% para -1,4%. Ainda assim, na comparação trimestral, o segmento avançou 0,8% no fim de 2024, prolongando uma sequência de sete períodos de crescimento. O varejo também não escapou do enfraquecimento, com recuo de 1,1% nas vendas na passagem mensal – contrapondo as projeções de ligeira alta. A visão predominante é de que a demanda por bens sofra um revés ao longo deste ano, influenciada por juros elevados, inflação elevada e alguns sinais de acomodação no mercado de trabalho. Ao mesmo tempo, embora o setor de serviços tenha perdido tração nos meses finais de 2024, não se espera um movimento de queda muito acentuado. O resultado do PIB do ano passado deve ficar em torno de 3,5%.
TCU investiga despesas fora do Orçamento
O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu auditoria para mapear gastos federais que não transitam oficialmente pelo Orçamento, entendendo que esse tipo de prática pode comprometer a credibilidade da administração pública. O procedimento ocorre após o tribunal conceder 120 dias para o Executivo incorporar recursos remanescentes do programa Pé-de-Meia na lei orçamentária de 2025. Também há pendências no Auxílio-Gás e ajustes relacionados ao salário mínimo e à inflação, itens que impactam prestações previdenciárias e assistenciais.
No Exterior
Estados Unidos: inflação acelera enquanto varejo recua
Nos EUA, os preços ao consumidor cresceram 0,5% em janeiro sobre dezembro, a taxa mais alta desde agosto de 2023, levando a inflação anualizada a 3,0%. O núcleo do índice, que exclui componentes voláteis, avançou 0,45%, também superior às projeções. Do lado oposto, as vendas no varejo caíram -0,9%, abaixo da expectativa de -0,2%, em meio a fatores pontuais como incêndios em Los Angeles e invernos rigorosos em outras regiões. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, tem reiterado que não há pressa em reduzir os juros, dada a força da economia e do mercado de trabalho, reforçando a tendência de estabilidade das taxas ao longo de 2025.
Novas tarifas americanas sobre aço e alumínio
O governo Donald Trump anunciou taxa de 25% para aço e alumínio, com vigência a partir de 12 de março, e confirmou a adoção de tarifas “recíprocas” para seus parceiros comerciais em 1º de abril. Entre os potenciais afetados estão Brasil, Canadá, México, Coreia do Sul e Vietnã. No caso brasileiro, há preocupações sobre a eventual equiparação de tarifas em produtos como etanol, hoje isento ao entrar nos EUA, ao passo que o Brasil cobra 18% sobre o combustível norte-americano. Ainda que possa gerar impactos setoriais, analistas veem repercussão macroeconômica moderada, considerando a pauta de exportações ao mercado norte-americano.
China enfrenta tendência de baixa nos preços
Na China, o índice de preços ao consumidor (CPI) aumentou 0,7% em janeiro, pouco abaixo das estimativas do mercado. Em 12 meses, a inflação ficou em 0,5%. Ao mesmo tempo, os preços no atacado continuaram em queda, o que destaca sinais persistentes de deflação na indústria local, alimentados por uma demanda interna ainda fraca frente à oferta robusta.
Ações
Ibovespa avança 2,9% com clima externo menos tenso
O principal índice da bolsa brasileira encerrou a semana em 128.219 pontos, com elevação de 2,9% em reais e 4,0% em dólares. Após a Casa Branca anunciar, no último domingo, tarifa de 25% sobre importações de aço e alumínio, novos anúncios de taxas comerciais foram divulgados na quinta-feira, mas com poucos detalhes e prazos dilatados, o que reduziu o impacto negativo nos mercados. Nos Estados Unidos, a inflação acima do esperado pesou momentaneamente, mas foi contrabalançada pelo indicador de preços ao produtor, que trouxe alguns indícios de alívio. Trump e Putin também deram início a conversas para encerrar a guerra na Ucrânia. No âmbito corporativo, a temporada de balanços do quarto trimestre de 2024 segue em ritmo acelerado, com 384 companhias do S&P 500 tendo reportado resultados. Destas, 74,9% superaram as previsões de lucro, em média 6,5% acima do esperado, segundo dados da Bloomberg. Já no mercado doméstico, o real se fortaleceu, terminando a semana a R$ 5,70 (-1,9%), enquanto a curva de juros recuou após o IPCA de janeiro vir um pouco melhor do que o consenso. Declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reafirmando compromisso com a meta de inflação, também contribuíram para o tom otimista. Entre os destaques positivos, Carrefour Brasil (CRFB3) subiu 19,0% depois que seu controlador francês apresentou proposta de fechamento de capital no mercado brasileiro. Na contramão, a joalheria Vivara (VIVA3) recuou 5,0%, reagindo à saída de seu diretor de marketing.
FONTE: https://conteudos.xpi.com.br/economia/economia-em-destaque-energia-traz-alivio-passageiro-para-a-inflacao/
https://conteudos.xpi.com.br/acoes/relatorios/resumo-semanal-da-bolsa-ibovespa-sobe-em-meio-a-novidades-sobre-tarifas/
Mateus H. Passero
Assessor de investimentos
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